Sunday, December 6, 2009

Os Vedas e a Iluminacao

"O mito da expulsão do paraíso, tão enraizado na nossa civilização judaico-cristã, parece nunca ter existido no inconsciente coletivo da cultura Védica. Como a origem desta "expulsão" se encontra localizada na perda de contato com o sentido sagrado e divino da vida e da própria existência individual, e na sua interrelação com o Macrocosmo que nos rodeia, fica mais fácil compreender porque a cultura Védica nunca experimentou esta 'queda'.

A primeira coisa que sempre associamos com a Índia são as palavras iluminação e Guru, que aliás são complementares: Guru em sânscrito significa "aquele que traz a luz". Não é por acaso que os dois pilares básicos da prática védica são a Meditação e a Astrologia; através destes dois conhecimentos essenciais, os hindus puderam manter sempre avivados os seus instrumentos de iluminação.

No Ocidente, dois pensadores importantes aprofundaram e traduziram este conceito tão vago para nós: Carl Gustav Jung o batizou de "individuação", e o definiu como "...tornar-se um ser único, homogêneo, que gradualmente (...) reduz a camada do inconsciente pessoal que recobre o inconsciente coletivo (...), colocando o indivíduo numa comunhão incondicional, obrigatória e indissolúvel com o mundo". Abraham Maslow (1908-1970), um dos pioneiros da Psicologia Humanista (foto), chamou esta experiência de "auto-atualização" (Self-Actualization), e sintetizou-a na afirmação: "Eu penso no homem auto-atualizado não como um homem comum a quem alguma coisa foi acrescentada, mas sim como o homem comum de quem nada foi tirado; o homem comum é um ser humano completo com poderes e capacidades amortecidos e inibidos".

O que se vê, portanto, é que o significado da iluminação está muito mais em realizar-se ("actualize") o potencial latente do ser humano do que em acrescentar-se algo exterior a este ser. Neste sentido, a Meditação e a Astrologia representam caminhos diversos, duais e complementares de se experimentar a relação de unidade com o Cosmos: a primeira nos leva na direção do Microcosmo, da interiorização e da (re)descoberta da nossa Centelha Divina (Atman) pulsando no lótus do coração, e restabelecendo a partir daí a nossa ligação com o Todo através da "comunhão incondicional com o mundo" citada por Jung; a segunda nos remete ao Macrocosmo, ao Universo Exterior (Brahman), e nos mostra através do estudo do Mapa Natal que essa interligação com o Todo é um fato "impresso" na nossa psique no momento do nascimento, e que os planetas, casas e signos do Zodíaco estão também dentro de nós mesmos.

A sensação de isolamento da pessoa que não consegue se "re-ligar" com a Totalidade surge, segundo os Vedas, de uma atitude que em sânscrito se chama Pragyaparadha, o erro do intelecto; pelo prisma do intelecto, incorremos no equívoco de nos acharmos separados da realidade que nos rodeia. Desta forma, na nossa relação com a Vida, vão existir sempre três componentes: o Observador (Rishi), o Processo de Observação (Dévata) e o Observado (Chhandas) como entidades distintas, separadas.

Na prática da Meditação, como conseqüência natural da interiorização, o meditante se torna o Observador, o Processo de Observação e o Observado, fundindo Rishi, Dévata e Chhandas no Samhita (Totalidade), e resgatando a experiência de unificação de si próprio com o Todo à sua volta: não há divisão, a unidade é experimentada diretamente, vivenciada.

Na prática da Astrologia, esta unidade é percebida a partir da constatação de que o Universo/Criador (Rishi), o Processo da Criação (Dévata), e a Criatura (Chhandas) estão interligados através dos planetas, signos e casas do Zodíaco.

É fácil, portanto, entendermos porque a Cultura Védica nunca se considerou alijada do processo evolutivo da Criação, e porque as maiores revelações técnicas e filosóficas na direção da Iluminação/Individuação/Auto-Atualização surgiram na Índia, particularmente nas florestas e montanhas dos Himalaias, que continua a ser a região do nosso planeta onde se encontra melhor preservada a Sabedoria Universal."

(W.Falcao)

Sunday, October 18, 2009

Fear and Love

"We always have a choice
Or at least I think we do
We can always use our voice
I thought this to be true
We can live in fear
Extend our selves to love
We can fall below
Or lift our selves above
Fear can stop you loving
Love can stop your fear
Fear can stop you loving
But it's not always that clear
I always try so hard
To share my self around
But now I'm closing up again
Drilling through the ground
Fear can stop you loving
Love can stop your fear
Fear can stop you loving
But it's not always that clear
I'd love to give my self away
But I find it hard to trust
I've got no map to find my way
Amongst these clouds of dust
Fear can stop you loving
Love can stop your fear
Fear can stop you loving
Love can stop your fear
Fear can stop you loving
Love can stop your fear
Fear can stop you loving
But it's not always that clear ..."


Saturday, October 10, 2009

Kahlil Gibran on Love



When love beckons to you, follow him,
Though his ways are hard and steep.
And when his wings enfold you yield to him,
Though the sword hidden among his pinions may wound you.
And when he speaks to you believe in him,
Though his voice may shatter your dreams
as the north wind lays waste the garden.

For even as love crowns you so shall he crucify you. Even as he is for your growth so is he for your pruning.
Even as he ascends to your height and caresses your tenderest branches that quiver in the sun,
So shall he descend to your roots and shake them in their clinging to the earth.

Like sheaves of corn he gathers you unto himself.
He threshes you to make you naked.
He sifts you to free you from your husks.
He grinds you to whiteness.
He kneads you until you are pliant;
And then he assigns you to his sacred fire, that you may become sacred bread for God's sacred feast.

All these things shall love do unto you that you may know the secrets of your heart, and in that knowledge become a fragment of Life's heart.

But if in your fear you would seek only love's peace and love's pleasure,
Then it is better for you that you cover your nakedness and pass out of love's threshing-floor,
Into the seasonless world where you shall laugh, but not all of your laughter, and weep, but not all of your tears.
Love gives naught but itself and takes naught but from itself.
Love possesses not nor would it be possessed;
For love is sufficient unto love.

When you love you should not say, "God is in my heart," but rather, "I am in the heart of God."
And think not you can direct the course of love, for love, if it finds you worthy, directs your course.

Love has no other desire but to fulfill itself.
But if you love and must needs have desires, let these be your desires:
To melt and be like a running brook that sings its melody to the night.
To know the pain of too much tenderness.
To be wounded by your own understanding of love;
And to bleed willingly and joyfully.
To wake at dawn with a winged heart and give thanks for another day of loving;
To rest at the noon hour and meditate love's ecstasy;
To return home at eventide with gratitude;
And then to sleep with a prayer for the beloved in your heart and a song of praise upon your lips.

Tuesday, October 6, 2009

what doesn´t count...

"Amamos tão pouco e tão mal,com uma metade ou até mesmo com um quarto de nós mesmos.E amamos,no outro, alguns pedaços escolhidos, os mais conhecidos, aqueles que nos causam menos medo. É tão raro amarmos alguém por inteiro, com aquilo que não nos agrada. É tão raro sermos amados por inteiro, com nossas cavidades de sombra, com nossos dorsos de luz."

Wednesday, June 10, 2009

Poema da gare de Astapovo

O velho Leon Tolstoi fugiu de casa aos oitenta anos
E foi morrer na gare de Astapovo!
Com certeza sentou-se a um velho banco,
Um desses velhos bancos lustrosos pelo uso
Que existem em todas as estaçõezinhas pobres do mundo,
Contra uma parede nua...
Sentou-se... e sorriu amargamente
Pensando que
Em toda a sua vida
Apenas restava de seu a Glória,
Esse irrisório chocalho cheio de guizos e fitinhas
Coloridas
Nas mãos esclerosadas de um caduco!
E então a Morte,
Ao vê-lo sozinho àquela hora
Na estação deserta,
Julgou que ele estivesse ali à sua espera,
Quando apenas sentara para descansar um pouco!
A Morte chegou na sua antiga locomotiva
(Ela sempre chega pontualmente na hora incerta...)
Mas talvez não pensou em nada disso, o grande Velho,
E quem sabe se até não morreu feliz: ele fugiu...
Ele fugiu de casa...
Ele fugiu de casa aos oitenta anos de idade...
Não são todos os que realizam os velhos sonhos da infância!

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pois é,Quintana..que saudade me deu dele hj:) da sua perspicácia, das suas observacoes sempre pontuais e cheias de riso...lindo,lindo Quintana...e me deu vontade de colocar este poema,falando sobre Tolstoi que foi sempre tao sério e cheio de uma moral implácavel e imenso e que Quintana consegue deixar assim tao humano,simples,doce bem no seu último momento.

Quintana é anti-drama.Quintana é meiguice.Quintana é beleza que nao precisa de peso pra provar-se inteligente.

bom...Quintana aí e eu escrevendo besteiras:P

Friday, May 15, 2009

Meditar para ilumirar-se

No momento que você se ilumina, toda a existência se ilumina.Se você estiver na escuridão, toda a existência estará na escuridão.

Tudo depende de você.

Existem mil e uma idéias errôneas a respeito da meditação, predominantes em todo o mundo. A meditação é muito simples: nada mais é do que consciência. Ela não é entoar salmos, não é usar um mantra ou um rosário. Esses são métodos hipnóticos; eles podem lhe dar um tipo de repouso – e nada há de errado com esse repouso; tudo bem, se estiver simplesmente tenteando relaxar. Qualquer método hipnótico pode ajudar, mas, se você desejar conhecer a verdade, então ele não será suficiente.

Meditação simplesmente significa transformar sua inconsciência em consciência. Normalmente, apenas um décimo de nossa mente está consciente, e nove décimos estão inconscientes. Apenas uma pequena parte de nossa mente tem luz, uma fina camada; fora essa parte, toda a casa está imersa na escuridão. E o desafio é ampliar tanto essa pequena luz para que toda a casa fique repleta de luz, sem deixar um único recanto no escuro.

Quando toda a casa está repleta de luz, a vida é um milagre, tem a qualidade da magia. Então, ela não mais é comum – tudo se torna extraordinário. O mundano é transformado no sagrado e pequenas coisas da vida começam a ter um imenso significado, jamais imaginado. Pedras comuns parecem tão belas quanto os diamantes... Toda a existência se torna iluminada. No momento em que você se ilumina, toda a existência se ilumina. Se você estiver na escuridão, toda a existência estará na escuridão. Tudo depende de você.

OSHO.

Viver é ser outro. Nem sentir é possível se hoje se sente como ontem se sentiu: sentir hoje o mesmo que ontem não é sentir — é lembrar hoje o que se sentiu ontem, ser hoje o cadáver vivo do que ontem foi a vida perdida.

Apagar tudo do quadro de um dia para o outro, ser novo com cada nova madrugada, numa revirgindade perpétua da emoção — isto, e só isto, vale a pena ser ou ter, para ser ou ter o que imperfeitamente somos.


Fernando Pessoa.

.sem comentários.

Sunday, March 15, 2009

.elocubrando depois da mudanca.

"Efetivamente, às vezes pareço alegre e afável; converso também com os outros de modo bastante razoável; e a impressão é de que, só Deus sabe como, me sinto bem. No entanto, a alma permanece no seu sono mortal, e o coração sangra por mil feridas abertas."