Thursday, August 28, 2008

Engano meu

Não,babe,não. Ser bipolar não é bacana,não é cool,não é fantástico e não nos faz geniais ou melhores ou maiores ou nada mais...não nos faz chegar num patamar, numa posição confortável e dela poder observar 'toda a nossa obra', 'tudo que conquistamos', 'com toda a nossa luta pra nos mantermos sãos'...na realidade, ficamos por muito pouco tempo numa sanidade, numa tranqüilidade pra que haja um alívio real sem mancha alguma de culpa(nossa eterna companheira) e o eterno, eterno e cultuado saudosismo...como o passado é presente pra mim...coisas que ninguém mais lembra e que me são tão vivas!que ninguém mais dá valor...talvez porque a memória recente esteja meio fraca.

como o passado relativamente distante me parece amigo, me aquece, como me dá calor e conforto quando me sinto isolada e longe de todos, quando não há a menor possibilidade de comunicação e finalmente eu entendo isso!

Não, babe, não. A bipolaridade não te traz uma sabedoria, uma maior consciência.Tenho a mesma terrível consciência que tinha aos meus 11,12, 13 anos..a mesma consciência e atração pela profundidade, seria pelo abismo, se não houvesse uma certa necessidade de luz - já chamaram de esperança, esta minha atração pela luz - que paradoxalmente e ironicamente salvou-me do abismo.Hoje, com 34, tenho a mesma consciência exasperante e as mesmas sensações insuportáveis de vácuo e dor, intercaladas.Por vários momentos,juntas. E a sabedoria? E a paz? E os anos olhando, persccrutando, observando? Não. Sem sabedoria. Só essa insuportável empatia por quem sofre e se debate.

Sim, me isolo.Quem vê de fora..quem vê de fora, espera ver felicidade,pelo menos a relativa de todo mundo, a boa felicidade relativa de quem encontrou um porto, um amor real ..então, como seguir a minha lógica que me faz deparar com o inevitável: se com o maravilhoso não há plenitude, não há alívio real desta dor que jamais me deixa de vez,então...e então? e então que cheguei ao máximo de mim...sinto pânico sim.um medo tão grande de me expor que a única saída é expor tudo de vez. porque não há exposição social capaz de abranger isto.ou vou viver calada como até então.

não há amigos, amor, filho, eu..não há nada.só essa dor que me paralisa. pa-ra-li-sa.vc tem noção do que é isso?que o meu sorriso é uma genuína demonstração de revolução?

não peço nada. não dou nada.não estou perto. só rezo, não passo um dia sem pensar nos que sempre amei..mas eles sabem disto?eles se importam com isto?ou é sempre esperado que se aja de uma forma tal? de uma forma que aji antes? não consigo mais...

mas cada um sabe de si,cada um vive sua vida e acaba rotulando e julgando.não conseguimos viver sem julgar...e assim, vamos julgando sem viver.vamos continuando e escolhendo nossos momentos e apenas pensando 'esta pessoa mudou, escolha dela'.

vejo tudo com tanta intensidade que pra maioria pareceria tão disforme, tão extremamente colorido, tão destoante...como as cores de Van Gogh, numa época de impressionismo.e me afasto. me afasto, pois chega um momento que realmente já não consigo mais.se justificar para um verdadeiro amigo...isto não deveria ser feito.nunca.

ai..já ía me desculpar...a natureza do momento.querer me desculpar sempre.a culpa. a insegurança de estar fora do lugar certo, do tempo certo, do mundo certo...

mas, ainda tenho aquilo que chamaram de esperança..como é o nome?atração pela luz..não consigo evitar...simplesmente, não consigo evitar. e penso no meu filho que foi minha primeira maravilha e agora meu marido que é um anjo, um verdadeiro companheiro.penso na minha família, que jamais me deixou na mão...p*! se alguém disser que isso é pouco tá muito louco...e até dá pra tentar de novo..ou sempre.