Monday, November 3, 2008

Pessoa como eu...

"Deus costuma usar a solidão
para nos ensinar sobre a convivência.

Às vezes, usa a raiva,
para que possamos compreender
o infinito valor da paz.

Outras vezes usa o tédio,
quando quer nos mostrar a importância da
aventura e do abandono.

Deus costuma usar o silêncio para nos ensinar
sobre a responsabilidade
do que dizemos.

Às vezes usa o cansaço,
para que possamos compreender
o valor do despertar.

Outras vezes usa a doença,
quando quer nos mostrar
a importância da saúde.

Deus costuma usar o fogo, para nos ensinar
sobre água.

Às vezes, usa a terra,
para que possamos compreender o valor do ar.

Outras vezes usa a morte,
quando quer nos mostrar
a importância da vida".

Thursday, August 28, 2008

Engano meu

Não,babe,não. Ser bipolar não é bacana,não é cool,não é fantástico e não nos faz geniais ou melhores ou maiores ou nada mais...não nos faz chegar num patamar, numa posição confortável e dela poder observar 'toda a nossa obra', 'tudo que conquistamos', 'com toda a nossa luta pra nos mantermos sãos'...na realidade, ficamos por muito pouco tempo numa sanidade, numa tranqüilidade pra que haja um alívio real sem mancha alguma de culpa(nossa eterna companheira) e o eterno, eterno e cultuado saudosismo...como o passado é presente pra mim...coisas que ninguém mais lembra e que me são tão vivas!que ninguém mais dá valor...talvez porque a memória recente esteja meio fraca.

como o passado relativamente distante me parece amigo, me aquece, como me dá calor e conforto quando me sinto isolada e longe de todos, quando não há a menor possibilidade de comunicação e finalmente eu entendo isso!

Não, babe, não. A bipolaridade não te traz uma sabedoria, uma maior consciência.Tenho a mesma terrível consciência que tinha aos meus 11,12, 13 anos..a mesma consciência e atração pela profundidade, seria pelo abismo, se não houvesse uma certa necessidade de luz - já chamaram de esperança, esta minha atração pela luz - que paradoxalmente e ironicamente salvou-me do abismo.Hoje, com 34, tenho a mesma consciência exasperante e as mesmas sensações insuportáveis de vácuo e dor, intercaladas.Por vários momentos,juntas. E a sabedoria? E a paz? E os anos olhando, persccrutando, observando? Não. Sem sabedoria. Só essa insuportável empatia por quem sofre e se debate.

Sim, me isolo.Quem vê de fora..quem vê de fora, espera ver felicidade,pelo menos a relativa de todo mundo, a boa felicidade relativa de quem encontrou um porto, um amor real ..então, como seguir a minha lógica que me faz deparar com o inevitável: se com o maravilhoso não há plenitude, não há alívio real desta dor que jamais me deixa de vez,então...e então? e então que cheguei ao máximo de mim...sinto pânico sim.um medo tão grande de me expor que a única saída é expor tudo de vez. porque não há exposição social capaz de abranger isto.ou vou viver calada como até então.

não há amigos, amor, filho, eu..não há nada.só essa dor que me paralisa. pa-ra-li-sa.vc tem noção do que é isso?que o meu sorriso é uma genuína demonstração de revolução?

não peço nada. não dou nada.não estou perto. só rezo, não passo um dia sem pensar nos que sempre amei..mas eles sabem disto?eles se importam com isto?ou é sempre esperado que se aja de uma forma tal? de uma forma que aji antes? não consigo mais...

mas cada um sabe de si,cada um vive sua vida e acaba rotulando e julgando.não conseguimos viver sem julgar...e assim, vamos julgando sem viver.vamos continuando e escolhendo nossos momentos e apenas pensando 'esta pessoa mudou, escolha dela'.

vejo tudo com tanta intensidade que pra maioria pareceria tão disforme, tão extremamente colorido, tão destoante...como as cores de Van Gogh, numa época de impressionismo.e me afasto. me afasto, pois chega um momento que realmente já não consigo mais.se justificar para um verdadeiro amigo...isto não deveria ser feito.nunca.

ai..já ía me desculpar...a natureza do momento.querer me desculpar sempre.a culpa. a insegurança de estar fora do lugar certo, do tempo certo, do mundo certo...

mas, ainda tenho aquilo que chamaram de esperança..como é o nome?atração pela luz..não consigo evitar...simplesmente, não consigo evitar. e penso no meu filho que foi minha primeira maravilha e agora meu marido que é um anjo, um verdadeiro companheiro.penso na minha família, que jamais me deixou na mão...p*! se alguém disser que isso é pouco tá muito louco...e até dá pra tentar de novo..ou sempre.

Wednesday, July 2, 2008

palavras na pausa

"The purpose of living is to grow, and the fear you meet on your path, whatever your fear happens to be, is your form of the dark."

[O propósito de viver é crescer e o medo que você encontra no seu caminho, qualquer que seja esse medo, é a sua forma de escuridão.]

Thursday, June 26, 2008

Bipolaridade:A "Normal" Patologia de Tomás de Aquino x Comfortbly Numb

O mundo está constituído de tal forma que quem o compreendesse a fundo poderia ser precipitado num abismo de tristeza: o próprio Verbo de Deus feito homem teve de padecer uma morte terrível e infamante. E no fim dos tempos, ocorrerá o domínio universal do mal. Tomás de Aquino ensina que o dom da ciência (que permite conhecer o que é este mundo) corresponde à bem-aventurança: "Bem-aventurados os que choram...".

Quem pensa nisto (e o ser humano não precisa necessariamente de uma reflexão consciente para aperceber-se dessa realidade) pode muito bem verter lágrimas e cair na mais profunda depressão; depressão que, aliás, não tem porque ser considerada "infundada" ou "sem objeto", uma vez que a criatura procede do nada.

Mas a criatura é também - para além de qualquer medida concebível - tão intensamente mantida na existência pelo Amor de Deus que, quem considera este fundamento e sabe reconhecê-lo, pode facilmente ser invadido pela alegria (também aparentemente "infundada" e efetivamente não causada por nenhum motivo externo próximo e determinado). Uma alegria tão arrebatadora que, pura e simplesmente, extravasa a capacidade de recepção da alma.

Como é que fica então o meio-termo, o "normal"? E por que meios é essa normalidade regulada? Talvez pelo estado fisiológico do aparelho hormonal das glândulas ou do sistema nervoso.

Josef Pieper


Assim, segundo Tomás, a criatura é dúplice em sua estrutura fundamental: por um lado, participa do Ser (e da verdade, da bondade, da beleza...) de Deus; mas, por outro lado, é treva, enquanto procede do nada. E essa estrutura dúplice projeta-se num apelo contraditório ao homem (também ele criatura...) em seu relacionamento com o mundo: daí a "normalidade" da psicose maníaco-depressiva ou, como se diz hoje, do transtorno bipolar.

A gravidade da "patológica" normalidade - que deveria ser a constante situação do ser humano no mundo -, passa, na verdade, despercebida para a imensa maioria, que não se dá conta de nenhum dos dois pólos do transtorno, situando-se numa morna mediocridade, alheia ao dramático potencial contido em cada centímetro quadrado do quotidiano. Essa incapacidade de se deixar abalar, de sentir a vertigem existencial do apelo da realidade, traz consigo a "tranqüilidade" do anestesiado, que só se inquieta para reagir quando algo ameaça romper a segura redoma em que instalou seu pequeno mundo.

L. Jean Lauand

Wednesday, June 25, 2008

Ivory Tower

"...And Patty has a big, big heart
Bigger than her life
She just forgot the most fantastic thing within
She's sitting in her glasshouse
And she does not dare to throw the stone
To make it all come true
Of what she's dreaming of
And so it seems to me

Patty can't take it
She gotta give it back
Her world is a big place and she's frightened..."


“She sits by the window
Stares into the night
Just waiting for a foreign sound from outside
Far beyond the atmospheres
She is listening for a call
To take her homewards to herself
Oh, I love you so
He who's master of the icy shots
Won't harm you in the morning
She knows that the pavement's hard
There between the stars
To travel on to martian homesick city...

She is weeping silently but there's not a tear
Just raindrops falling from the painted ceiling
The dance of the foraging bee
Will number all the things
She has been longing for all of her life

I will not pass this night in vain, she says
I'll stand this kind of rain
I know the way, I'll find the path
Yes, Carol wants to go to Mars
Back where the red-cold sun is sinking
To the channels of A'daar...

Day breaks through the grating
Someone moves a chair
And sunlight blisters dazzling on a glass
Take a pill and greet the day
For sedative holidays
Why aren't you sleeping in the night?

Oh, I love you so
He who's master of the icy shots
Won't harm you till the evening
We shall meet tomorrow night
And I'll kiss you just as tenderly
As Cygnus kissed the deserts..."


There was a young lady named Bright

Who's speed was much faster, much faster than light

She departed one day

In a relative way

And returned on the previous...

The Heart of Gold

Tuesday, June 24, 2008

Schutzengel

Ich bin bei dir dein Leben lang
halt über dich meine schützende Hand
manchmal siehst du mich an
obwohl du mich nicht sehen kannst
Meine Welt liegt in schwarz weiß
nur du machst sie farbenreich
ich existiere allein für dich
nur wenn du fällst spürst du mich
Mein Herz mein Geist meine Seele
lebt nur für dich
mein Tod mein Leben meine Liebe
ist nichts ohne Dich
Wenn du träumst bin ich bei dir
wache jede Nacht neben Dir
manchmal suchst du meine Hand
obwohl du mich nicht sehen kannst
Meine Welt liegt in Dunkelheit
nur du lässt das Licht hinein
ich existiere allein für dich
nur wenn du fällst spürst du mich
Mein Herz mein Geist meine Seele
lebt nur für dich
mein Tod mein Leben meine Liebe
Ist nichts ohne Dich
Mein Herz mein Geist meine Seele
lebt nur für dich
mein Tod mein Leben meine Liebe

Ist nichts ohne Dich"

for that one who is my true love in this world,
for our anniversary:).
cos it's simple and real.and u save me from my deep
deepest self, helping me to face it daily.
and u stand by me no matter what.my best friend,
my companion, my lover.
mein
Schutzengel.

für Dich, meine Liebe, mein Mann.
ich liebe Dich:D

Monday, June 23, 2008

Amor x Medo

"Amamos tão pouco e tão mal,com uma metade ou até mesmo com um quarto de nós mesmos.E amamos,no outro, algund pedaços escolhidos, os mais conhecidos, aqueles que nos causam menos medo. É tão raro amarmos alguém por inteiro, com aquilo que não nos agrada. É tão raro sermos amados por inteiro, com nossas cavidades de sombra, com nossos dorsos de luz."

belo,não:)?
amamos no outro aquilo que nos causa menos medo.na realidade, alguns pedaços mais conhecidos.só pra bater na mesma tecla.porque é muito repetido que o contrário do amor é o ódio- o que obviamente não é- ou,mais plausivamente, o desprezo.não.a emoção que trabalha frontalmente e,com bastante sucesso, contra o amor atende por medo.
medo.

o medo é o próprio contrário do amor. e o absurdamente hilário, tragicômico, terrificante e, na enorme maioria da vezes, paralizante, é que somos criados com um amor de medo.nossos pais nos amam assim, com um medo anormal e insalubre que atende pelo nome de proteção.e o mais engraçado é que eu me vejo, a mãe que sou hoje, amando com esse amor de medo(e tendo uma terrível compaixão pela minha mãe.)

amamos nossos companheiros assim porque a partir do momento que encontramos alguém que realmente é nosso cúmplice e pode testemunhar nossa vida, vem o pavor de perdê-lo. passamos por muita coisa antes disso, foi muita tensão e agora começa outra, às vezes até maior(oww paradoxo!). nas pessoas com certo senso,a tensão é explícita ou velada(mas consciente).nas outras é daquele tipo que leva à grandes cenas de ciúmes ou velada(e dá câncer).

como conseguimos mesclar tão(im)perfeitamente sentimentos tão antagônicos? não sei.porque nossa humanidade nos domina? sei que em todas as relações onde há realmente amor, também encontra-se medo. não refiro-me à paixões, nelas não encontramos também medo.e sim,somente medo.medo de perder, de faltar, de falhar,de não estar, não ver, não conseguir, não ficar, não ir...medo, medo, medo.um medo que pode chegar a ser desesperador.
falo, porém, daqueles que há entre os que se amam.seja como mãe e filho,homem e mulher, mulher e mulher, homem e homem, irmão e irmão, amigo e amigo e por aí vai. destas, talvez a relação mais livre seja a entre amigos mesmo, por simplesmente nos darmos ao luxo de ter tantos amigos(ou poucos mesmo, que é mais certo) e dividir entre eles nossos medinhos, nossa pequenez, nosso demônios e tranformá-los em algo menos avassalador, menos comprometedor da nosa paz.

Sunday, June 22, 2008

pequeno comentário de domingo

interessante.ontem, logo após postar o 'fé:continuando', falei com um querido amigo.desses maravilhosos presentes que a virtualidade nos traz e ele calha de ser um ateu também:P (de muito bom caráter por sinal:)
ele colocou uma questão que ,na hora cheguei a discordar,mas depois de um domingo, acabei por ter que no mínimo revolvê-la. é, pra alguém que se diz nietzschiana, a colocação do sam harris tá um tanto quanto apaziguadora demás;) meu amadíssimo quebraria a banca e usaria toda a força de seu martelo nesse postulado aí. de certo!

Saturday, June 21, 2008

Fé (continuando)

Encontrei.Sam Harris.suas idéias não são novas, não são revolucionárias, mas ele é ateu.e normalmente palavras assim viriam de um religioso(a palavra se perdeu, lembram?),ou melhor,de um espiritualista. e isto é revolucionário e bom. vejam por si só:

"Os ateus e os verdadeiros espiritualistas têm muito mais em comum do que eles imaginam. Olham para si, esperam por si e não por uma resposta externa.a religião e o dogma são escravizantes mas buscar o auto-conhecimento não.E aí,é irrelevante a nomenclatura e preponderante a tolerância.Não se luta contra dogmas propondo outros, acirrando ânimos, impondo idéias. Luta-se com equilíbrio e lucidez."

fomos claros?:)
pois sim! porque ele é daqueles exemplos clássicos de 'apropriação devida das palavras':).suas não prolixas palavras são um bálsamo para mim e meu arsenal de argumentos onde costumo me perder (pra quem não percebeu ainda, sou a rainha mãe da prolixidade:) e mesmo essa criatura claríssima ainda é mal entendida. sim, ele tem um livro chamado "O Fim da Fé", porém-lá vamos nós adentrando no terreno pegajoso da nomenclatura- a fé que estamos fartos de ir contra, é a mesma praticada por quem está inserido em alguma religião organizada( blá blá blá), não esta fé cheia de lucidez, de espírito crítico, de alegria por sermos responsáveis por nossas vidas, ou seja, a própria fé em nós mesmos. é preciso abrir os olhos pra não ver o velho onde há o novo. e isso tem valido pra mim também.
e como!

Sam Harris usa palavras chaves para mim:espiritualista, verdadeiro, tolerância, irrelevante ,dogma, escravizante, equilíbrio, lucidez. palavras que espelham uma busca e um querer libertar-me sempre mais. use eu a nomenclatura que me couber ou o rótulo que achem por bem me dar.

namastê:)

"We think having faith means being convinced God exists in the same way we are convinced a chair exists. People who cannot be completely convinced of God’s existence think faith is impossible for them. Not so. People who doubt can have great faith because faith is something you do, not something you think. In fact, the greater your doubt the more heroic your faith."

"Nós achamos que ter fé significa estarmos convencidos que Deus existe da mesma forma que estamos convencidos que uma cadeira existe. Pessoas que não podem estar completamente convencidas da existência de Deus pensam que a fé é impossível pra eles. Não mesmo. Pessoas que duvidam podem ter grande fé porque fé é algo que você, não algo que você pensa. De fato, quanto maior a sua dúvida, mais heróica a sua fé."

na verdade, depois de uma citação destas, pra que escrever algo mais? sabe quando vc encontra as palavras perfeitas? que te expressam exatamente? mais! que expressam algo que vc nem sabia que queria expressar?!:) mas, sou básica, me aproprio mesmo, sem dó nem piedade, quando encontro palavras que me expressam. são minhas. coloco aspas pra dar o nome aos bois, mas viram minhas também.aliás, foram endereçadas a mim.simples assim.
fé é assunto de pauta pra mim desde os meus..hummm.. minha infância, digamos assim. mas, é claro que só na pré-adolescência, e com toda aquela efervescência, tornou-se essencial defini-la. não porque necessitasse de uma definição. precisava explicar PROS OUTROS (!) que religião e fé não caminhavam juntas.não mesmo. deveriam caminhar, mas, meu bem, entre o que é pra ser e o que é! rss nosso mundo é cheio de nuances, não é mesmo?- pra bom entendedor, vamos manter o eufemismo:P

meu ponto de honra era mostrar por A mais B que repudiar religião organizada, e o Deus apresentado por ela, não torna ninguém um ateu, não da forma que compreendemos um- e eles se compreendem:P (sem querer polemizar por aqui). senão eu também seria uma! bom, com essa missão(rss) comecei minha vidinha.
e já encontrei muitos bons ateus (aliás, tô pra ver um ateu que não seja bom caráter, viu?) e um filósofo maravilhoso que bem definiu este meu ponto de vista..claro, só me falta lembrar seu nome:P

hoje em dia, tô mais tranqüila e menos preocupada em provar algum ponto de vista, sei que as coisas acabam se resumindo a uma grande questão de nomenclatura.tenho dois amigos que são exemplo de caráter e se auto proclamam ateus e em várias conversas chegamos a pontos em comum. em outras discordamos em tudo. sei que o ateu olha pra dentro de si. e deus(energia,amor,harmonia..o nome que vc quiser ou não quiser dar) que eu saiba não se encontra em outro lugar. na realidade o ateu está mais próximo de ser um religioso -segundo a raíz desta palavra que foi absolutamente deformada pelo uso, o 'religare': o encontro do humano com o sagrado dentro de si. mas vamos movendo esse sagrado aí, senão ele empaca e aí, bebé, nem ateu nem religioso nem nada vai adiantar. e o que importa é crescer nessa vida,né não?

quanto à religião organizada...bom,tecido pra outro post tem que sobra:)


Friday, June 20, 2008

então o que é bipolaridade?

não sei. hj resolvi botar pra fora uma questão que anda me rondando. aceito e aceitei o rótulo que me deram há muitos anos por uma questão de praticidade? por não agüentar a pressão de uma sociedade, enquanto a minha própria pressão interna já estava insuportável? tudo que essa decisão não foi: simples. e lutei bravamente contra ela, mas 'engoli a pílula' sim- sem e com trocadilhos;) tomo os estabilizadores de humor de uns anos pra cá e venho percebendo que eles não evitam que eu passe pelas mesmas crises e com a mesma intensidade. a mesma.

se assim é, então só posso concluír que sou o que sou, bipolar ou não. minha principal desordem foi de outra ordem. a não sustenção do que sou, a não capacidade de lidar com as minhas diferenças. com a minha não normalidade. essa bendita não normalidade, essa genial não normalidade, que sempre me fez intensa, questionadora e crítica de mim e dos meus arredores. mas o rótulo vem fácil e aceitá-lo também é fácil, às vezes é a nossa salvação.pra mim foi.

porém o tempo de precisar ser salva passou. o tempo de aceitar ser rotulada passou. atravesso agora uma crise pessoal e, como qualquer crise, ela vem pra me empurrar pra frente, pra me fazer perceber como sou maior do que pensava. e extremamente forte. é só olhar pra trás. pra dentro de mim e, como sempre, pros meus arredores. crise é risco e oportunidade, segundo o i ching. e vou aceiteitando o risco e a oportunidade de crescer. novamente.

é bom aceitar que, levemente maníaca ou levemente depressiva -normalmente, mais do que levemente depressiva, já que tendo a arroubos dramáticos- é isso que sou e os estabilizadores não conseguiram barrar esta minha tendência. a culpa por isto sim, é que me faz ficar mal, não estas características intrínsecas. ter percebido isto , aos plenos 34 anos de idade, me faz uma vitoriosa. uma vitoriosa cheia de batalhas pra enfrentar , ciente que as melhores armas são amor prórpio. amor- dado e recebido- do meu filho; do meu marido- que vê minhas reais cores-; dos amigos verdadeiros-aqueles que te abrangem completamente com doçura ou dureza- e da família-mesmo que te deixe louca( bom, normalmente isso acontece sempre:P). e esta sim, a família, é elemento decisivo para a nossa principal construção nesta vida: o próprio ato de escolher. família pratica o amor de medo. e ou a gente escolhe rapidinho saír dessa ou vive uma vida encolhida, acovardada, pequenininha...mas, isso são outros quinhetos:) e só pra acabar essa prosa, família, seu moço, "é cebola cortada";)